Posts com a Tag ‘Entrevistas’

LabelDESAFIOS: O poder inovador das multidões

Postado em Empreendedorismo, Inovação, Startup em July 29th, 2010 por Deivide Oliveira – Deixe seu comentário

Já pensou em ter milhares de pessoas propondo soluções para os problemas de sua empresa? Essa é a idéia por trás da LabelDESAFIOS, uma web startup criada por Rafael Zatti, que trabalha com o conceito de crowdsourcing, ou seja, utiliza a inteligência e os conhecimentos coletivos e voluntários espalhados pela internet para resolver problemas que as empresas enfrentam. A LabelDESAFIOS é a primeira experiência de empreendedorismo desse gaúcho de 22 anos, viciado em internet e redes sociais, estudante da Universidade Federal de Santa Maria e natural de uma pequena cidade: Tenente Portela.

A proposta da startup é intermediar o relacionamento entre empresas e colaboradores, de forma a permitir uma relação ganha-ganha, ou seja, as empresas publicam seus desafios, recebem propostas de soluções, escolhem aquela que melhor se adequa à sua necessidade e os autores das mesmas são premiados por seu trabalho. Os desafios são pensados tanto para os colaboradores quanto para as empresas e a LabelDESAFIOS não aceita desafios cujos prêmios não estejam de acordo com a sua complexidade.

A seguir você acompanha uma entrevista com Rafael Zatti, que conta como surgiu essa idéia, suas inspirações e as ações que o levaram a implementar uma idéia de negócio tão rapidamente:

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Entrevista com o fundador do BolsaFinanceira

Postado em Empreendedorismo, Startup em July 13th, 2010 por Deivide Oliveira – Deixe seu comentário

Você investe em ações? Se investe, não pode deixar de conhecer o Bolsa Financeira, uma startup que oferece um serviço para investidores que contém uma série de indicadores gráficos diferenciados. Se não investe, mesmo assim vale a pena dar uma olhada para entender um pouco mais sobre este assunto e conhecer o trabalho inovador dessa startup criada por Rui Felipe.

Há algum tempo acompanho o trabalho desenvolvido no Bolsa Financeira e utilizo os indicadores do site para a tomada de decisões em alguns investimentos. Posso dizer com grande segurança que os recursos do site são muito úteis para qualquer investidor e são de longe melhores do que os recursos oferecidos por alguns sistemas de home broker, inclusive home brokers de grandes bancos nacionais.

À seguir você acompanha uma entrevista realizada com Rui Felipe, que conta como foi a criação da startup, as dificuldades, os aprendizados e as estratégias empregadas para ter sucesso em um mercado financeiro fechado e dominado por grandes bancos e corretoras. Desejo que as experiências relatadas abaixo possam inspirar novos empreendedores.

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Entrevista com um dos fundadores do Tangu

Postado em Startup em November 19th, 2009 por Deivide Oliveira – 2 Comentários

tanguNesta semana entrevistei Luiz Daniel Lima, um dos fundadores da Sandbox e do Tangu.

O Tangu é uma solução muito interessante criada pela Sandbox, onde é possível organizar eventos, gerenciar congressos, workshops, seminários, entre outros.

Leia abaixo a entrevista, onde Luiz destaca os pontos positivos de estar em uma incubadora, as dificuldades de desenvolver um produto apenas com investimento próprio, o ambiente empreendedor em Florianópolis e muito mais.

Habilidade 20%: Fale um pouco sobre a história do Tangu e da Sandbox.

Luiz: A Sandbox surgiu em novembro de 2007, meus dois sócios e eu trabalhamos juntos na Fundação CERTI, de Florianópolis, onde desenvolvíamos mídias interativas em Flash e Director. Fundamos a empresa numa visão de “software com design”, com uma equipe de designers e desenvolvedores bem integrada, desenvolvendo “rich applications” para internet, desktop e mesas/telas interativas. O Tangu, nosso software online para gerenciamento de eventos, surgiu a partir de uma seleção de idéias e de mercados que fizemos. O Cristiano, um dos sócios, havia desenvolvido um sistema e tido alguma experiência comercial nessa área. Isso acabou influenciando bastante.

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Entrevista com a fundadora da Ninui

Postado em Startup em September 29th, 2009 por Deivide Oliveira – 3 Comentários

NinuiNa última sexta-feira entrevistei Karina Rehavia, fundadora da Ninui. Na entrevista, que você confere logo abaixo, falamos sobre o surgimento da Ninui, os aprendizados, o prêmio no Rio Info, os planos para o futuro, a participação no Desafio GV Intel e muito mais.

A Ninui surgiu em Fevereiro de 2009, no Rio de Janeiro, e hoje é uma plataforma integradora de negócios de varejo online especializada em mercados de nicho. Com foco atual nos nichos de produtos Feitos à Mão e Brechós, a Ninui oferece aos vendedores lojas gratuitas e toda a infra estrutura necessária para a venda dos seus produtos.

H20%: Como surgiu a idéia de fazer a Ninui?

Karina: Há muito tempo eu já tinha vontade de empreender, mas nunca tinha tido a oportunidade. Empreender é um processo que demanda um certo investimento e o surgimento dessa nova economia da web, que estamos vivendo atualmente, me deu a oportunidade para empreender com um investimento um pouco mais baixo do que seria normalmente necessário. A idéia da Ninui em si veio de uma série de observações do mercado que eu fui fazendo ao longo do tempo.

Que observações foram essas?

A primeira observação veio do uso da internet no Brasil. Nós somos os melhores usuários de internet em qualidade de acesso, em número de horas on-line e no tipo de relacionamento que temos pela internet, o brasileiro leva para a internet o tipo de relacionamento que tem de forma off-line.

A segunda observação foi o crescimento do comércio eletrônico no Brasil. O comércio eletrônico é o segmento que mais cresce no Brasil e no mundo. Somente no 2º semestre de 2008, com toda a crise financeira, o crescimento foi de 30%. É um crescimento fantástico até para época de crise e a tendência é de crescer ainda mais. Hoje no Brasil nós temos 15 milhões de compradores on-line e a estimativa é que esse número chegue a 90 milhões em 2013, movimentando aproximadamente R$ 50 bilhões por ano.

Olhando para esse segmento percebi que o mercado estava carente de representação em nichos específicos relacionados ao pequeno varejo, ou seja, existem grandes portais de comércio eletrônico como Americanas.com, Submarino, Mercado Livre, etc., mas não havia algo focado para o pequeno empreendedor, aquele que vive do que costumamos chamar de mercado informal e que representa uma parcela gigantesca da população. Hoje são 60 milhões de brasileiros, que geram 50% do trabalho e renda no Brasil e este é um dado que me surpreendeu demais.

Juntando todas essas peças é que surgiu a Ninui em fevereiro de 2009. A Ninui hoje é uma plataforma integradora de varejo on-line, ou seja, é mais do que um portal e oferece gratuitamente, para qualquer pessoa que tenha algo para vender, dentro dos nichos de mercado que trabalhamos, um conjunto de ferramentas tecnologicas. A pessoa que quer vender não precisa estar necessariamente dentro do site da Ninui, ela pode usar nossa plataforma em redes sociais, blogs, etc.

A Ninui é uma plataforma 100% gratuita, ou seja, não cobramos mensalidades, taxa de adesão, taxa para cadastro de produtos ou comissões sobre as vendas. Isso nos dá uma infinidade de possibilidades, pois não ficamos presos à um determinado aspecto do negócio em si.

Nossa missão é gerar trabalho e renda para as pessoas, ajudar a fomentar o empreendedorismo e a inclusão digital.

Você se lembra do momento em que teve a idéia da Ninui?

Foi basicamente um processo evolutivo, mas eu posso citar que o “estalo” veio com a escolha dos nichos de mercado. Isso veio de uma característica minha de ser consumista, de adorar coisas feitas à mão e de ser uma frequentadora assídua de brechós, desde muito pequena. Comecei a perceber que não havia um local que reunisse esses dois nichos, que eles não eram representados na internet e que havia ali uma oportunidade.

Nesse processo eu gostaria de citar o Roberto Andrade, que é Diretor Executivo da Ninui e que esteve  desde o começo, desde a concepção da idéia e da criação da Ninui.

O que você fazia antes de montar a Ninui? Você trabalhava com TI ou desenvolvimento web?

Não. Eu não sou desenvolvedora. Fiz toda a concepção da Ninui, toda a arquitetura da informação, mas não desenvolvo os códigos. Sou formada em Comunicação com expecialização em Cinema por uma faculdade dos EUA, que se chama Rowan University. Morei 8 anos fora do Brasil e retornei em 2004. Trabalhei durante um tempo no mercado publicitário basicamente em projetos de comunicação e marketing voltados para a web.

Hoje a Ninui está com quantos usuários?

Hoje nós estamos com 580 lojas abertas e ativas. É interessante citar que não fizemos nenhuma ação de divulgação, todo o nosso crescimento vem da divulgação dos próprios usuários, o que demonstra o poder da rede e o quanto o projeto da Ninui é relevante.

A qualidade da Ninui também faz com que as pessoas divulguem…

Sim, a qualidade da Ninui e a relevância do projeto. Isso demonstra também a força das pessoas, a vontade de empreender.

Você possui algum mentor? Alguém que te orientou?

Tiveram várias pessoas que eu fui consultando ao longo do caminho. Nós contamos com o apoio da ALTEX – Associação de Empresas de Alta Tecnologia para Exportação de Software, que fica sediada aqui no Rio de Janeiro.

Rio de Janeiro

Esse é o principal motivo de vocês estarem no Rio?

Não. Eu vim para o Rio de Janeiro muito antes da Ninui, moro aqui desde 2006. O motivo da minha vinda foi essa cidade maravilhosa, o Rio de Janeiro nos acolheu muito bem e tem se mostrado um lugar super bacana para empreender. Recentemente nós fomos premiados com o prêmio Rio Info, ganhamos na categoria Redes Sociais, também através de uma incubadora aqui do Rio de Janeiro. Não somos incubados, mas através dessa incubadora nos candidatamos ao Prime da FINEP e conseguimos mais essa conquista também. Estamos também em São Paulo, é um pé aqui e outro aí.

Tem alguma equipe da Ninui que fica aqui em São Paulo?

Não. A gestão da Ninui é toda remota, nós não temos escritório físico,  temos colaboradores literalmente espalhados pelo mundo.

Como assim?

O nosso CRM, que é a pessoa que cuida da parte de atendimento do site, trabalha conosco full time e fica aqui no Rio de Janeiro. Já o nosso webdesigner é de Bogotá e nossa editora de conteúdos fica em Londres.

Esse é o modelo de empresas do futuro, certo?

Sim, o modelo 3.0, sem base fixa. Eu costumo dizer que o meu laptop é o meu escritório.

Vocês tiveram algum apoio de investidores?

Estamos procurando investimento atualmente. Estamos inclusive na fase semi-final do Desafio GV Intel o que para nós é uma ótima vitrine nessa busca de atrair algum investimento. Inicialmente nós pegamos um empréstimo da Caixa Econômica Federal para dar o “start” da Ninui e até agora tudo tem sido investimento próprio. Em 2010 nós contaremos com o apoio do Prime da FINEP.

Você falou que a Ninui hoje é 100% gratuita. Vocês possuem um modelo de negócio?

Sim, o nosso modelo de negócios é baseado em ações institucionais com marcas que queiram se relacionar com a nossa base de usuários, ou que tenham interesse em desenvolver projetos com a participação da Ninui. Temos também o modelo de negócio de compartilhamento da nossa rede com os nossos patrocinadores, ou seja, eles poderão se relacionar com a rede da Ninui, que é uma rede altamente qualificada, formada por pessoas que tem esse forte viés do empreendedorismo.

Publicidade é uma outra fonte de receitas e aí são diversas as possibilidades. Nosso blog tem espaço publicitário e  enviamos uma newsletter quinzenal que também pode ser patrocinada. Nós não temos nenhuma fonte de receita que venha do usuário.

Os nichos que a Ninui atua hoje são o de Brechó e Feito a Mão. Existem outros?

Nós lançamos a Ninui com dois nichos e os dois próximos nichos serão o nicho de Antiquários e o nicho de Hobbies, que nós identificamos como nichos específicos, separados do Brechó.

O nicho de Hobbies conteria que tipo de produtos? Minaturas, quebra-cabeças…

Exatamente. Nós temos categorias de miniaturas, montanhismo, pescaria, aeromodelismo, entre outros. Já temos mais de 260 nichos de mercado identificados, que podemos vir a explorar no nosso plano de expansão. Iremos trabalhando de dois em dois nichos, para que possamos ter uma relevância dentro dos mesmos, o que exige um profundo conhecimento das comunidades de cada um.

Você teve algum momento de dúvida sobre a viabilidade do negócio? Algum momento em que pensou em desistir?

Insegurança às vezes aparece, mas nunca questionei a viabilidade do negócio. Eu sempre acreditei na Ninui. Se você não acredita no seu negócio é melhor cair fora, porque empreender é um processo difícil. Nós estamos encontrando muito mais apoio do que imaginávamos, tivemos o Prime, a associação com  a ALTEX e o Riosoft, mas ainda é um caminho difícil. Esse conceito de startup no Brasil é muito novo, nós não temos uma estrutura de capital de investidores como existe, por exemplo, nos EUA.

Como você se sentiu quando o site começou a ter a audiência?

Eu achei fantástico. Tem coisas que acontecem diariamente na Ninui que são emocionantes, e-mails que nós recebemos através do Fale Conosco, de pessoas dizendo o quanto o site as está ajudando. Essa sensação de que estamos dando a oportunidade de gerar trabalho, de gerar renda, é muito bacana. Cada dia é diferente na Ninui, todos os dias acontece alguma coisa legal, algo que nos empolga. Está tudo muito legal.

O que mais lhe surpreendeu?

Uma coisa que me surpreendeu bastante é como o nosso modelo de negócios evoluiu. Nós começamos com uma idéia de como seria o nosso modelo de negócio e hoje nós temos uma visão completamente diferente. Nós começamos como um portal e hoje nós somos uma plataforma.

Outra coisa que me surpreendeu bastante é a capacidade da gestão remota, aquilo que nós estávamos conversando antes, da empresa 3.0. Eu sabia que era possível, mas não imaginei que fosse ser tão eficiente ter um colaborador em cada continente.

Como está sendo a participação da Ninui no Desafio GV Intel?

Fantástica! Quando falei do Desafio acabei esquecendo de citar as oportunidades que eu não imaginava que teria ou que estariam disponíveis e o Desafio com certeza é uma delas. Eu aprendi muito nesse processo do Desafio que, assim como o Prime, são processos que te forçam a pensar o seu negócio do começo ao fim, com planejamento de 5 anos e tal. Você acaba fazendo um raio-x do negócio como um todo.

Nós já entramos no Desafio e no Prime com o negócio em andamento, porque a Ninui já tinha sido lançada como empresa, mas de qualquer forma muitas coisas dessa transformação da Ninui, dessa reflexão que a Ninui passou e que passa constantemente, vieram desse processo, que nos fizeram parar e realmente pensar o negócio, o porquê de nós estarmos fazendo isso, quais são os caminhos mais interessantes, plano de internacionalização, que também mudou um pouco em função de tudo isso, nosso plano de expansão, etc.. Também é fantástico o fato de termos o acesso à informação tão qualificada e a qualidade dos colaboradores que participam do Desafio. Todas as associações de investidores anjo brasileiras estavam lá, ou seja, pessoas muito qualificadas e eu aprendi muito.

Quais são os planos para o futuro da Ninui?

Acredito que até o final do ano estaremos com esses dois novos nichos no ar e temos também uma expansão internacional pela frente. Começaremos a expansão da Ninui para os países de língua portuguesa, começando em Moçambique e depois iremos para Angola, Guiné-Bissau, São Tomé e Principe, Cabo Verde, Portugal e Macau. Estamos super felizes com isso, com contatos muito legais. Estamos formando uma base operacional em Moçambique nesse nosso estilo. Depois dos países de língua portuguesa iremos expandir para os países da América Latina. O que é muito legal também para nós, nessa expansão para os países de língua portuguesa, é promover o intercâmbio cultural entre os países. Vemos uma oportunidade de fomentar o pequeno empreendedorismo nesses países, de desenvolver um trabalho como o que estamos desenvolvendo hoje no Brasil e também promover esse intercâmbio. Eu diria que essa é a nossa missão nesse começo de expansão internacional.

Que conselhos que você daria para uma pessoa que queira montar um negócio com foco em internet?

Acho que o primeiro seria a Perseverança. E isso não é só para negócios de internet, mas para qualquer empreendimento que uma pessoa  queira fazer. Vão existir vários obstáculos pelo caminho, provavelmente. Eu acho que a pessoa deve seguir a sua própria lógica, para passar esses obstáculos e se manter firme com a idéia.

Outro conselho é para sempre estar preparado e flexível para a mudança, ainda mais na internet que é uma plataforma muito dinâmica, onde as coisas acontecem muito rápido. Se você não está flexível, não está aberto a mudar, a ajustar, a aperfeiçoar e se adaptar as coisas serão bem mais complicadas. É isso que nós estamos tendo como guia na Ninui, ou seja, esse aprendizado constante pelo qual estamos passando para tornar a Ninui um projeto cada vez melhor e relevante. Outra questão importante é que nós ouvimos muito os nossos usuários, é quase que uma gestão colaborativa, ou seja, estamos sempre perguntando, sempre ouvindo, sempre levamos em consideração o que eles dizem e isso vai guiando a nossa estratégia e o nosso plano de trabalho.

Você acha que teria sido mais fácil montar a empresa em outro país, que não o Brasil? Que aqui as coisas são mais difíceis do que lá fora?

Não. Eu não tenho essa avaliação. Acho que empreender é difícil em qualquer lugar. Eu tenho amigos nos EUA que estão montando a sua primeira startup e também estão com dificuldades. É claro que nos EUA existe mais a cultura de startup e do empreendedorismo, o acesso aos recursos e aos investimentos é mais fácil, mas acho que o Brasil está em um caminho maravilhoso em direção a isso e os programas como a FINEP e iniciativas como o Desafio estão aí para provar isso. O brasileiro é altamente empreendedor, de uma forma maravilhosa, criativa, mesmo com poucos recursos. O brasileiro é extremamente auto-didata, nós aprendemos tudo sozinhos, nós aprendemos a usar o computador sozinhos, ninguém foi nos ensinar no colégio, nós aprendemos a usar a internet sozinhos, as redes sociais, enfim, eu vejo um futuro maravilhoso para o empreendedorismo no Brasil. Sou muito otimista e tenho muita fé que o Brasil será um país cada vez melhor para se empreender.

Entrevista com o fundador do site Freela

Postado em Startup em September 14th, 2009 por Deivide Oliveira – 1 Comentário

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Na última sexta-feira entrevistei Gabriel Pereira, fundador do site Freela. Na entrevista, que você confere logo abaixo, falamos sobre a trajetória do Freela, desde a concepção da idéia até o momento atual, passando também pelas dificuldades enfrentadas, as lições do dia-a-dia e as satisfações de se montar uma startup de internet.

Criado em agosto de 2005, o Freela é um site dedicado a reunir profissionais freelancers e potencializar suas redes de relacionamento profissional.  Se você é freelancer, cadastre-se no Freela e monte seu portfólio para fazer mais negócios. Se você precisa contratar um freelancer, utilize o sistema de buscas do site e encontre a peça que faltava para o seu projeto.

H20%: Fale um pouco sobre o Freela, como tudo começou? Quando você teve a idéia?

Gabriel: O Freela surgiu de uma necessidade pessoal. Eu trabalho com comunicação e nos trabalhos realizados para os clientes  havia uma necessidade grande de contratar profissionais freelancers em vários segmentos. Na época eu estava limitado apenas ao networking pessoal, de amigos ou no máximo do networking de amigos dos amigos, não conseguia ir além. Quando se trabalha em agência de comunicação você precisa de fornecedores pontuais, para trabalhos pequenos, específicos, com começo, meio e fim muito bem definidos.

Em 2004, quando eu comecei a sentir claramente essa necessidade, já contratava alguns profissionais e no exterior já existiam alguns sites com esse propósito que funcionavam muito bem. Cheguei inclusive a usar alguns desses sites, mas aqui no Brasil não havia ninguém prestando esse serviço. Dessa forma surgiu a idéia do Freela, foram 6 meses pesquisando o mercado, tentando entender mais, porém de forma paralela a minha atividade principal na agência.

E o que aconteceu depois?

Foram 6 meses de planejamento estratégico de como implantar o site e depois mais uns 4 meses nos primeiros desenvolvimentos. Eu não sou desenvolvedor, então tive que contratar profissionais para realizar o desenvolvimento do site. Em agosto de 2005 o site entrou no ar na primeira versão e os primeiros usuários surgiram da divulgação boca a boca  entre amigos. Na época os usuários eram somente freelancers, não tinha empresas e nem concorrência de projetos como têm hoje.  Por quase 3 anos funcionou como vitrine de freelancers, hesitei muito em colocar o acesso para empresas, que por acaso hoje está crescendo mais do que o portfólio de freelancers.

Foi dessa forma que tudo começou. O site entrou no ar sem muita pretensão, foi mais para ver o que aconteceria. Não houve entrada de investidores, um planejamento muito bem estruturado, nada disso. Foi todo feito com capital próprio e continua assim até hoje. O site ainda não possui faturamento, pois todo o acesso é gratuito.

Qual o número de usuários do site hoje?

Hoje o Freela está com mais de 20 mil usuários cadastrados. Temos mais de 1.300.000 pageviews por mês. Já é bastante coisa, o site se desenvolveu bastante, embora tenha sido um desenvolvimento gradual, de forma bem orgânica. Não foi feito investimento em comunicação para obter um crescimento acelerado do site em nenhum momento, aliás o site ainda não passou por uma explosão nos acessos. Este mercado ainda está em desenvolvimento no Brasil.

Você comentou que o investimento  foi totalmente de capital próprio…

Sim, totalmente capital próprio. Desde contratar quem desenvolveu o logo do site, a comunicação básica inicial, estrutura física, equipe, etc.  Ter um site é mais complicado do que parece, as pessoas olham o site e falam: “Vou fazer um igual, é fácil”. Mas não é. Eu mesmo achava que em 6 ou 8 meses, no máximo um ano, o site estaria pronto, gerando receita e não foi tão simples assim.

Por quê?

É complicado. Eu poderia ter feito o site, metido as caras e essa é até uma dica que eu dou para todo mundo, muita gente que pensa: “Ah, eu tenho um uma idéia maluca, que eu acho que pode dar certo. Vou fazer e ganhar dinheiro rápido com isso!”Não é assim. Falo por experiência própria, já coloquei muito dinheiro no site e não é fácil sustentar funcionários por todo esse período de 4 anos sem entrar um centavo de faturamento. Muitos justificam: “Ah, eu vou colocar anúncio!” Tudo bem, mas você tem que montar uma estrutura comercial, você precisa de gente, você pensa que vai cobrar das pessoas, mas não é tão simples assim esse “vou cobrar”. Você sempre tem alguma coisa para resolver. Por exemplo, hoje nós estamos com vários problemas no servidor. O servidor não está aguentando porque  uma falha pequena de programação xyz me gerou uma carga absurda de processamento, em um momento que não era esperado. O que quero dizer é:  você fica correndo atrás do próprio rabo boa parte do tempo, resolvendo coisas do dia-a-dia e as coisas não funcionam como você imagina.

Você fez um plano de negócios para o site? Você tinha um modelo de negócios quando começou?

Sim, eu tinha um modelo de negócio planejado no surgimento do site, fiz um business plan, mas já mudou muito. Até porque a internet em 4 anos mudou muito, quando eu montei o site ninguém falava de web 2, Ajax, milhões de Javascripts, etc. Agora tudo é diferente, hoje em dia você tem muita coisa pronta, um monte de ferramentas open source e não precisa conhecer muito para montar um site complexo. Nós montamos tudo in-house, então nós conhecemos tudo, sabemos a demanda, aliás, a primeira versão do Freela foi uma versão meio que pronta, mas não open source. Nós compramos uma ferramenta já pronta que foi uma furada. Não deu certo.

A ferramenta não ajudou em nada?

Não. Atrapalhou! Perdemos muito tempo ali. É até legal citar algo com o que eu aprendi muito: você vê um modelo de negócio lá fora e acha que é só aplicar aqui e não é bem assim. Existem todos os tipos de modelos de negócio lá fora, e mesmo assim o que nós usamos no site é um pouco diferente, porque tem algumas características da cultura local que precisam ser consideradas. Nós demoramos para ter esse entendimento do negócio.

Você se sentiu satisfeito quando o site começou a ter audiência?

Na verdade o site sempre teve uma audiência, desde o primeiro mês, mas acho que a satisfação não está nisso. Ter acesso para mim não significa muita coisa, acho que é muito fácil você ter acesso hoje em dia, qualquer pessoa muito popular no Orkut tem um monte de acessos. O que me dá uma satisfação imensa é ter gerado muito negócios para as pessoas que estão no site e de forma gratuita.  Os e-mails de agradecimento são fantásticos. Essa é a grande satisfação que eu tenho.

Em algum momento você teve dúvidas sobre a viabilidade do negócio?

Eu acho assim: algumas vezes enche o saco, você pensa “Ah, vou largar mão desse negócio aqui, porque dá muito trabalho”. Qualquer empreendedor vai passar por isso constantemente. Eu acredito muito nisso. A pessoa que abre o negócio achando que vai dar tudo certo, quebra a cara, ter dúvidas é saudável.

Existe algum fato curioso do site que você possa comentar? Algo que você não imaginava que iria acontecer quando decidiu montar o site.

Acho que um fato curioso do Freela é que nós estamos em todos os estados do Brasil. Mesmo os estados mais distantes como Rondônia, Roraima, Acre, cidades bem pequenas que eu nunca ouvi falar. A internet permite isso, é muito legal.

Como está sendo a participação do Freela no Desafio 2009 do GVcepe?

Então, nós entramos na disputa totalmente sem pretensões. Fomos os últimos a mandar a inscrição, mandamos o projeto aos 45 minutos do segundo tempo. Gravamos o vídeo aqui na sala de reunião, com câmera na mão mesmo, 3 ou 4 horas antes do limite do prazo. O foco no Desafio foi participar do “Mentoring”, conhecer as pessoas. Estaremos no lucro se virar alguma coisa para a gente daqui para frente.

Quais são os planos para o futuro do Freela?

A expectativa é ter uma versão Premium do Freela, uma coisa mais específica para alguns usuários e conseguir rentabilizar o site. Eu tenho a idéia de sempre manter uma versão gratuita, como veículo de ajudar as pessoas que estão começando, isso faz parte dos pilares do Freela.

Você fez o Freela meio que correndo por fora, no seu canto…

Sim, totalmente fora do meio normal do pessoal de internet. Aliás, não sei nem se foi bom, talvez eu devesse ter feito mais contatos com o pessoal de internet, mas não dá tempo.

Que conselhos você daria para os empreendedores que desejam montar uma startup com foco em internet.

Acho que eu acabei respondendo isso ao longo da entrevista, mas acho que quem quiser fazer isso tem que começar com os dois pés no chão, porque internet não é tudo o que se imagina, aliás, é bem difícil se você tiver que desenvolver o modelo e a tecnologia, como foi o caso do Freela.

Se o empreendedor optar por usar uma ferramenta open source ou já pronta, talvez ele consiga desenvolver sozinho e  depois, se não der certo, o máximo que ele perdeu foi o tempo. Por outro lado ele ganha em experiência e isso é válido e muito bacana. Modelos iguais ao seu de Blog são muito legais. Montar um formato de blog e rentabilizar o negócio é uma boa oportunidade, e não gasta nada, só tempo.