Entrevista com o fundador do BolsaFinanceira

Você investe em ações? Se investe, não pode deixar de conhecer o Bolsa Financeira, uma startup que oferece um serviço para investidores que contém uma série de indicadores gráficos diferenciados. Se não investe, mesmo assim vale a pena dar uma olhada para entender um pouco mais sobre este assunto e conhecer o trabalho inovador dessa startup criada por Rui Felipe.

Há algum tempo acompanho o trabalho desenvolvido no Bolsa Financeira e utilizo os indicadores do site para a tomada de decisões em alguns investimentos. Posso dizer com grande segurança que os recursos do site são muito úteis para qualquer investidor e são de longe melhores do que os recursos oferecidos por alguns sistemas de home broker, inclusive home brokers de grandes bancos nacionais.

À seguir você acompanha uma entrevista realizada com Rui Felipe, que conta como foi a criação da startup, as dificuldades, os aprendizados e as estratégias empregadas para ter sucesso em um mercado financeiro fechado e dominado por grandes bancos e corretoras. Desejo que as experiências relatadas abaixo possam inspirar novos empreendedores.

Conte um pouco sobre você e das suas experiências como empreendedor. 

Em 2007 eu estava seguindo carreira militar como cadete da Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), no entanto, mesmo possuindo estabilidade por ser concursado, acabei pedindo desligamento com uma convicção: de que teria meu próprio negócio.

Em 2008 iniciei o curso de Ciências Econômicas, e no início do corrente ano (2010), já no terceiro ano da graduação, resolvi deixar a faculdade para me dedicar exclusivamente aos projetos do Bolsa Financeira.

Sempre fui apaixonado por internet e como possuía alguns conhecimentos em programação, logo que deixei a AMAN lancei alguns sites de conteúdo diverso. Obtive muita experiência nessa fase.

Um dos sites, que consistia em busca de arquivos, eu realmente considerava como promissor. Havia definido que iria monetizá-lo com publicidade. Porém o erro foi não ter estabelecido um modelo de negócios bem definido, sendo que não levei em conta detalhes mais específicos.  Mesmo com um tráfego relativamente alto, uma série de fatores – que eu sequer imaginava – tornou o site inviável: a restrição de alguns programas de publicidade, a descentralização dos visitantes (eram de toda parte do mundo, com perfis diferentes, sendo difícil segmentar suas preferências) e até mesmo o próprio layout do site, que apesar de funcional não permitia uma inserção eficaz de propagandas. Acabei vendendo o site.

- Em relação ao Bolsa Financeira, como tudo começou? Como você teve a idéia de iniciar o projeto?

A idéia surgiu após ter concluído um curso de investimento na bolsa de valores, baseado em análise técnica – interpretação de gráficos e movimentos do mercado acionário para tomadas de decisão de compra e venda de ações. Durante o curso, aprendemos como escolher as melhores oportunidades baseadas no gráfico de uma respectiva ação. Havia procedimentos que deveriam ser feitos dia-a-dia, e como atualmente há mais de 600 empresas listadas na bolsa, visualizar gráficos de cada ação era trabalhoso e consumia tempo. Lembro-me que um aluno perguntou se não havia um programa que fizesse essa tarefa e o professor respondeu “aí você está querendo muito!”. Foi então que vi a possibilidade de resolver esse problema automatizando essas tarefas.

- Como foi colocar a idéia do Bolsa Financeira em prática?  

A primeira versão da ferramenta era somente em planilhas de Excel. No início de 2008, resolvi lançar em forma de SaaS – Software as a Service – , sendo uma versão para testar e amadurecer.

Passei dois anos desenvolvendo a versão definitiva, que foi lançada agora em 2010. Durante esses dois anos tive ajuda de alguns programadores para partes mais específicas do projeto. No início do desenvolvimento da versão definitiva, produzida em RoR (Ruby on Rails) eu não conhecia absolutamente nada desta linguagem e foi estudando e praticando que pude desenvolver conforme eu havia projetado. O que ajudou muito foi sempre estar me atualizando, indo atrás de novas tecnologias para facilitar e melhorar o meu trabalho.

A problemática surgiu, como mencionado acima, ao realizar o curso de investimento na bolsa de valores, sendo necessária a análise manual de inúmeros gráficos de ações. Assim, como eu já tinha um conhecimento na área de programação e também passei a estudar análise gráfica, resolvi desenvolver ferramentas para uso pessoal que me auxiliassem no estudo dos gráficos de forma automatizada,  como por exemplo a inserção automática de indicadores nos gráficos. Verificando a eficiência de tais ferramentas, pensei em comercializá-las, foi quando efetivamente surgiu o projeto do Bolsa Finaceira.

- Fale um pouco sobre a equipe do Bolsa Financeira.

Inicialmente desenvolvi a minha idéia sozinho, no entanto durante o desenvolvimento do site e das ferramentas obtive a ajuda de alguns colaboradores em diversos lugares do Brasil que trabalharam na parte técnica do site.

Após dois anos de desenvolvimento do site e com as ferramentas praticamente prontas, decidi que seria a hora de inserir um co-fundador no Bolsa Financeira, pois apesar de ter um conhecimento amplo da parte técnica precisava de alguém que  principalmente preenchesse o meu lado mais fraco, que era a parte de vendas e marketing.

Foi uma tarefa muito complicada, pois precisava encontrar  alguém com os atributos que a empresa necessitava. Vários fatores precisavam ser considerados, como encontrar alguém de confiança, que se comprometesse e se dedicasse da mesma forma que eu sempre fiz. Ainda, é muito importante que as duas pessoas possuam opiniões contrárias em alguns casos para que a discussão possa levar a um amadurecimento da idéia, bem como que se respeitem mutuamente, assim as melhores soluções acabam saindo naturalmente. Felizmente tive a grande sorte de encontrar um sócio (co-founder) com essas qualidades.

- Quais foram os investimentos necessários para montar o Bolsa Financeira?

Os maiores investimentos realizados, até a presente data, foram com licenças de software e servidores. No momento caminhamos somente através de bootstrapping.

Mesmo sendo limitados os recursos financeiros, não houve barreiras para desenvolver o que estava planejado. A vantagem é que fomos forçados a ser criativos, buscar alternativas baratas. Um exemplo que posso citar foi de um software que pretendíamos implementar no site, mas o custo da licença era superior ao orçamento destinado para tanto. O software era americano e havia traduções para alguns idiomas, exceto para português. Propusemos à empresa a tradução do software a troco da licença (já que minha equipe teria que realizar a tradução de qualquer forma), o acordo foi aceito e ficamos com a licença.

- O site utiliza um modelo freemium como forma de assinatura. Este foi o modelo que você imaginou desde o início? Existem outras formas de monetização do site?

Antes mesmo do site existir, já comercializava planilhas do Excel e fornecia dados para uma corretora de valores. O site surgiu depois, já pensando no modelo freemium. Hoje utilizamos 2 modelos: fornecemos dados / conteúdo personalizado para instituições financeiras e para pessoas físicas disponibilizamos o modelo de assinatura, com opção de planos gratuito e pago.

Pensamos no futuro em monetizar o site  também com a publicidade, isto porque temos um público específico da área financeira e podemos direcionar outros produtos relacionados para nossos usuários em forma de propaganda.

- Quais são as tecnologias que você utilizou para desenvolver o site?  

A principal tecnologia utilizada é Ruby On Rails, devido a sua alta produtividade. Também utilizamos servidores em nuvem (cloud servers), pelo baixo custo e intenso processamento que o site utiliza.

- Quais foram, na sua opinião, os momentos mais importantes para a empresa até agora? E as maiores dificuldades?

É muito gratificante observar os usuários utilizando o seu serviço, participando com novas idéias, explorando o que a ferramenta oferece. Tenho recebido críticas positivas de profissionais que atuam no mercado financeiro há décadas, o que me deixa muito feliz de ver o resultado de todo trabalho realizado.

Desenvolver o site sabendo que levaria mais de um ano no planejamento para ser lançado foi uma tarefa difícil, foi necessário muita paciência e perseverança. Uma grande dificuldade foi durante o desenvolvimento, pois o orçamento era extremamente restrito, sendo que algumas vezes desviava a atenção do projeto para desenvolver algo em paralelo como forma de gerar caixa rápido para a empresa. Nada disso adiantou, exceto por atrasar ainda mais o prazo de término do site.

- Há alguma situação que você não imaginava que fosse acontecer?

O que eu não esperava foi toda essa evolução. Como mencionei acima, lancei a primeira versão em planilhas de Excel, logo após recebi proposta de uma corretora para fornecimento dos dados que eu disponibilizava, oportunidade esta que foi de fundamental importância para dar o primeiro passo na empresa.

- Quais são os planos para o futuro do Bolsa Financeira?

A análise técnica é utilizada no mundo todo e em qualquer bolsa. Atualmente nossas ferramentas abrangem somente o mercado de ações BM&FBovespa, pretendemos disponibilizar os serviços também para mercadorias e futuros. Temos planos, também, para nos próximos anos oferecer nossos serviços para investidores de outras bolsas de valores fora do Brasil.

- Que conselhos você daria para os empreendedores que desejam montar uma web startup?

Foco. Muitas vezes acabei perdendo tempo por desviar o foco da empresa tentando resultados mais rápidos com outras idéias. Definitivamente não funciona. Concentre-se somente na sua idéia. Pesquise e se atualize. No mundo da internet, novas tecnologias aparecem todo o tempo, utilize-as a seu favor. Não desanime. Acredite na sua idéia, a única forma de saber os resultados é colocando em prática. Pense que como startup você terá muitas vantagens à frente de grandes empresas, como a facilidade de implementar o que precisar sem burocracia, a sua dedicação e a vontade de fazer o melhor. Busque inspirações.

Para saber mais:

- Acompanhe @bolsafinanceira no Twitter

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