Entrevista com um dos fundadores do Tangu

tanguNesta semana entrevistei Luiz Daniel Lima, um dos fundadores da Sandbox e do Tangu.

O Tangu é uma solução muito interessante criada pela Sandbox, onde é possível organizar eventos, gerenciar congressos, workshops, seminários, entre outros.

Leia abaixo a entrevista, onde Luiz destaca os pontos positivos de estar em uma incubadora, as dificuldades de desenvolver um produto apenas com investimento próprio, o ambiente empreendedor em Florianópolis e muito mais.

Habilidade 20%: Fale um pouco sobre a história do Tangu e da Sandbox.

Luiz: A Sandbox surgiu em novembro de 2007, meus dois sócios e eu trabalhamos juntos na Fundação CERTI, de Florianópolis, onde desenvolvíamos mídias interativas em Flash e Director. Fundamos a empresa numa visão de “software com design”, com uma equipe de designers e desenvolvedores bem integrada, desenvolvendo “rich applications” para internet, desktop e mesas/telas interativas. O Tangu, nosso software online para gerenciamento de eventos, surgiu a partir de uma seleção de idéias e de mercados que fizemos. O Cristiano, um dos sócios, havia desenvolvido um sistema e tido alguma experiência comercial nessa área. Isso acabou influenciando bastante.

Vocês estão hoje em uma incubadora. Conte um pouco como é isso, pontos positivos e negativos.

Estamos na incubadora MIDI Tecnológico de Florianópolis. A experiência tem sido ótima, temos todo o apoio tanto de infra-estrutura como nas consultorias de gestão, que são fundamentais. Tem também o networking com outras empresas. Só vejo pontos positivos.

Qual foi o tempo de desenvolvimento do Tangu?

O Tangu demorou 1 ano para ser desenvolvido, pelo fato de termos que equilibrar nosso tempo no desenvolvimento do produto com serviços para terceiros. Mas, nesse período, trabalhamos com outras soluções de mídias em projetos conjuntos com a Fundação CERTI e outros clientes.

Quem são os responsáveis pelo Tangu? Quem são as pessoas por trás da Sandbox?

Bom, somos 3 sócios na Sandbox. Eu, Luiz Daniel Lima sou formado em Eng. Mecânica e acabei “migrando” para a área de design e mídias interativas, sei programar um pouco em AS3, mas hoje estou só na gestão da empresa. O Cristiano Kurt e o Fabrício Salume têm formação em design e são ótimos programadores de Flash e Flex também. No Tangu ainda participou um ex-colega nosso, em parceria com a Sandbox, o Shalmany Lee Barduzzi, que tem implementado toda a parte de banco de dados e lógica no servidor.

Como é estar em Florianópolis? É mesmo o Vale do Silício brasileiro?

Acho que Florianópolis é uma boa cidade para se morar, mas tem sofrido nos últimos anos com o aumento populacional, como outras cidades (trânsito, violência etc.). O custo de vida é um dos mais altos das capitais brasileiras. O setor de tecnologia tem crescido bastante  e por isso a comparação, mas acho que ainda há um bom caminho para se igualar ao Vale do Silício, em termos de porte das empresas e, principalmente, o nível de colaboração. Acho que no Brasil precisamos fazer primeiro e alardear depois.

Vocês possuem algum mentor?

Infelizmente não temos um mentor, mas existem muitos bons autores de blogs que nos influenciam e “ajudam”, nas áreas de Flash, Flex e design (numa visão ampla, tanto de estética, quanto de user experience).

Vocês receberam apoio de investidores?

O Tangu teve um bom investimento, principalmente de RH, no desenvolvimento. Como não temos investidor no produto, considero quase um milagre ter feito algo tão bom com o recurso que tínhamos. Até chegamos a partcipar de um Seed Forum com esse produto, mas eu sinto que no Brasil investidor ainda precisa de mais garantias em relação ao desempenho no mercado, investidor de idéias é algo raro. Ou seja, agora é mostrar resultados e ver se surge um interesse mais para a frente.

Vocês fizeram um plano de negócios antes de começar?

Sim, o Tangu nasceu com um PN e com um foco bem claro no mercado de eventos. Mesmo assim, os desafios são muitos para uma startup sem investidor, para equilibrar os investimentos no produto, tanto no desenvolvimento como na divulgação e marketing. O PN é importante para dar a visão de onde se quer chegar, mas deve ser sempre reavaliado de acordo com a realidade do mercado.

Quais são as tecnologias que vocês utilizam no Tangu?

Desenvolvemos o Tangu em Adobe Flex no nível do cliente e Java no servidor.

Você acompanha o que seus concorrentes estão fazendo?

Ah, sim, isso é fundamental. As melhores aplicações estão nos EUA, como o Amiando e EventBrite.

Houve algum momento em que vocês tiveram dúvidas sobre a viabilidade do negócio?

Acho que ter dúvidas e ser crítico em relação a qualquer coisa é um bom sinal. Em relação ao Tangu ainda é muito cedo para dizer, pois o lançamos oficialmente em agosto. Mas temos tido uma ótima aceitação.

Quais foram, na sua opinião, os momentos mais importantes para a empresa até agora? E as maiores dificuldades?

Acho que conseguir lançar o Tangu, como um software na internet com o modelo SaaS, por si só, já é uma conquista. Porque sair de uma idéia para algo concreto não é tão fácil quanto se imagina. Fazer isso então com investimento próprio… Você tem que lidar com todo tipo de desafio, gerenciamento do projeto, motivação da equipe, foco no que os clientes realmente querem. Acho essa é a motivação de todo empreendedor: superar os obstáculos e fazer acontecer.

No Tangu tem ocorrido coisas bem interessantes, pessoas de todo o Brasil que acabam descobrindo o Tangu por meio do Google, criam eventos, customizam a página e o formulário, tudo por conta própria, sem ajuda, como imaginamos que seria. Isso é muito gratificante.

Há algo de diferente em termos de gestão que você implementaram na empresa? Como é o ambiente de trabalho na Sandbox?

Na verdade não muito, mas cada um se veste como quer, não é preciso fazer o “oito às seis”. Temos até um “power friday”, onde saímos mais cedo na sexta … mas nem sempre dá pra fazer : -)

Quais são os planos para o futuro?

Acho que 2010 é um ano chave, provavelmente, nosso último ano na incubadora, temos o Tangu e outros produtos em desenvolvimento para o ano que vem. Já temos outros projetos de desenvolvimentos para terceiros, enfim, acho que conseguimos crescer pelo menos 50% em faturamento ano que vem.

Que conselhos vocês dariam para os empreendedores que desejam montar uma startup com foco em internet no Brasil?

Acho que os caminhos para uma startup são vários, então, é mais difícil de dar conselho. O desafio é equilibrar a paixão por uma idéia com o foco em mercado e no negócio em si. Outro conselho importante é reunir na empresa sócios com diferentes perfis, porque tocar uma empresa no dia a dia exige não só pessoas com conhecimento técnico, mas administradores/vendedores também. Senão você acaba ficando sem dinheiro, energia ou motivação para terminar de desenvolver aquela sua idéia e isso é o pior que pode acontecer.

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  1. Richard says:

    Ótima entrevista, acompanho há algum tempo este blog material diferente e de grande qualidade.

    Abraços.

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